Bolsonaro não apresentou conta médica após facada

Presidente eleito não pediu reembolso à Câmara depois de internação no Albert Einstein

Mais de cem dias após sofrer um atentado a faca em Juiz de Fora (MG), o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), ainda não apresentou à Câmara dos Deputados um pedido de ressarcimento de gastos médicos e hospitalares com seu atendimento.

A própria equipe de Bolsonaro havia dito em setembro, dias após a tentativa de assassinato, que estava conversando com a Câmara e que iria recorrer ao reembolso a que os congressistas têm direito por eventual uso da rede privada de saúde.

Pelas regras da Câmara, para receber reembolso Bolsonaro terá que apresentar uma série de documentos comprobatórios dos gastos, incluindo declaração de que os custos foram quitados por ele.

Valores abaixo de R$ 50 mil podem ter o repasse autorizado pelo segundo vice-presidente da Casa, André Fufuca (PP-MA). Quaisquer gastos acima desse valor exigem uma deliberação da Mesa da Câmara, presidida por Rodrigo Maia (DEM-RJ).

De acordo com a assessoria da Câmara, Bolsonaro pode fazer pedido de ressarcimento a qualquer tempo, mesmo após a renúncia ao restante do mandato, o que terá de fazer até a segunda-feira (31) para assumir a Presidência da República.

A Folha enviou perguntas à assessoria de Bolsonaro e ao então presidente do PSL e futuro ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno. A reportagem questionou o custo de todo o tratamento, incluindo deslocamento em aeronave fretada de Juiz de Fora a São Paulo, e se os valores foram custeados por Bolsonaro e familiares ou por terceiros. Não houve resposta.

A Santa Casa de Juiz de Fora, que fez a cirurgia emergencial ainda no dia 6 de setembro, data do atentado, afirmou que o então candidato foi atendido pelo SUS, sem custo para o paciente.

Bolsonaro foi transferido no dia seguinte para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, um dos hospitais mais renomados e caros do país.

A assessoria do hospital —onde o então candidato ficou internado por 23 dias— afirmou que não comenta valores ou se pronuncia sobre quem pagou os custos, por questão de sigilo dos dados do paciente.

Após a facada, Bolsonaro passou por duas cirurgias: uma para corrigir os danos causados pelo ataque e outra para a retirada de aderências que obstruíam o intestino delgado. Ele deve passar por nova intervenção médica na segunda quinzena de janeiro ou em fevereiro, para a retirada da bolsa de colostomia que foi obrigado a usar desde setembro.

Bolsonaro sofreu a tentativa de assassinato durante ato de campanha na cidade mineira. O então presidenciável foi atingido na barriga por Adelio Bispo de Oliveira quando era carregado nos ombros de apoiadores.

Bispo, que já foi filiado ao PSOL, foi preso no mesmo dia do atentado Um primeiro inquérito conduzido pela Polícia Federal concluiu que o agressor agiu sozinho. Outra investigação a respeito ainda não foi concluída.

Fonte: Folha de São Paulo

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